Este guia tem duas listas com pesos opostos. A primeira é burocrática: o que instituições legítimas costumam pedir e por quê. A segunda é a que protege seu dinheiro. É a lista do que nenhuma instituição séria pede. Se algo dela aparecer na conversa, encerre a negociação na hora.
Lista 1 — O que é normal pedirem
| Documento | O que comprova | Observação |
|---|---|---|
| Documento de identidade com foto (RG, CNH) | Quem você é | Em canais digitais, com selfie/biometria |
| CPF | Sua identificação fiscal | Geralmente já consta no documento de identidade |
| Comprovante de residência recente | Onde localizá-lo | Conta de luz, água ou telefone, em geral dos últimos meses |
| Comprovante de renda | Capacidade de pagar | Holerite (CLT), extratos/IR/DECORE (autônomos), DASN e notas (MEI) |
| Documentos do bem | Valor e titularidade da garantia | Apenas em operações com garantia: matrícula do imóvel, documento do veículo |
Duas observações que evitam sustos:
- Cada instituição define sua lista. Algumas dispensam papel usando dados que você autoriza compartilhar via open finance. Outras pedem mais em valores altos;
- Pedir documento é normal; o canal importa. Enviar RG pelo site oficial da instituição é rotina. Enviar pelo WhatsApp para um "consultor" que te abordou é entregar sua identidade a um desconhecido.
Lista 2 — A lista vermelha: nunca entregue
- Senhas. De banco, do app, do cartão. Nenhum funcionário legítimo pede senha. Nunca, por nenhum canal;
- Códigos recebidos por SMS ou token. São a chave da sua conta. Quem pede o código quer entrar nela;
- Cartão físico. "Motoboy do banco" que busca o cartão é golpe clássico. Mesmo que a ligação anterior pareça oficial;
- Transferência ou depósito "para liberar". É a assinatura do golpe, com qualquer nome que derem à cobrança;
- Assinatura em documento em branco ou contrato "para preencher depois";
- Procuração para que "resolvam tudo por você". Ela entrega o controle da operação a um terceiro.
A lógica que une a lista é simples. Documento comprova; senha, código e dinheiro movimentam. Análise de crédito precisa de comprovação. Nunca de acesso à sua conta.
As duas listas lado a lado, para salvar:
Como enviar documentos com segurança
- Confirme a instituição antes de enviar qualquer coisa. Faça a consulta ao Banco Central e use o canal oficial que você mesmo localizou;
- Prefira o app ou site oficial, digitado por você, a anexos por mensageiro;
- Desconfie da pressa. "Manda agora que a condição expira" é técnica de golpe, não de banco;
- Depois de contratar, confira no Registrato se a operação registrada corresponde ao combinado. O passo a passo da análise que usa esses documentos está em como funciona a análise de crédito.
Perguntas frequentes
Posso mandar foto do RG com marca d'água?
Pode, e ajuda. Escreva sobre a imagem algo como "uso exclusivo para proposta na instituição X, em DD/MM/AAAA". Isso dificulta a reutilização do documento em fraudes. E não impede a análise.
A instituição pode recusar meu comprovante de renda?
Pode, se a política dela exigir outro formato. Nesse caso, pergunte exatamente qual documento atende. E avalie instituições cuja análise combine melhor com o seu perfil de comprovação.
Pedem meus dados e depois somem. Devo me preocupar?
Sim. Dados enviados a canais não oficiais podem alimentar fraudes futuras, como contratos em seu nome. Monitore o CPF nos birôs e no Registrato. Em caso de contrato que você não fez, siga o roteiro do guia de golpes.