Qual dívida pagar primeiro?
Não existe uma ordem universal. Existem duas lógicas consagradas — priorizar a de maior juros ou a de menor saldo — e um conjunto de situações práticas que pode passar na frente das duas: dívida atrasada, garantia vinculada, bem ou serviço essencial, cobrança em curso. Por isso a ferramenta separa prioridade matemática de prioridade prática, e nunca mistura as duas em silêncio. O detalhamento está em qual dívida pagar primeiro.
Como organizar todas as dívidas?
Comece pela lista completa: credor, saldo atualizado, pagamento mensal, taxa (se souber), atraso e se existe garantia. O Registrato, do Banco Central, mostra as operações de crédito no seu CPF — mas não cobre dívidas de comércio, serviços e contas de consumo, que precisam entrar pelos extratos. O plano completo está em como sair das dívidas.
O que é o método avalanche?
Você mantém os pagamentos necessários de todas as dívidas e direciona o valor que sobra para a de maior taxa de juros. Quando ela é quitada, o valor que era dela reforça a próxima da fila. O objetivo é reduzir o impacto dos juros: atacar primeiro o que cresce mais rápido tende a diminuir o custo financeiro total.
O que é o método bola de neve?
Mesma mecânica, critério diferente: o valor adicional vai para a dívida de menor saldo, independentemente da taxa. O objetivo é eliminar uma dívida mais rapidamente e reduzir o número de compromissos em aberto. A lista encurta antes, ainda que o custo do caminho seja maior.
Avalanche ou bola de neve: qual a diferença?
A avalanche prioriza o custo; a bola de neve prioriza eliminar compromissos. Nenhum dos dois é a estratégia correta para todo mundo, e esta ferramenta não elege vencedor: ela mostra a ordem de cada um com os seus números e, quando os dados permitem, o custo estimado de cada caminho. A escolha entre sustentar um plano mais barato ou um plano mais visível é sua.
Vale pagar primeiro a dívida com juros maiores?
Do ponto de vista aritmético, atacar a maior taxa tende a reduzir o total de juros — é a lógica da avalanche. Mas a resposta muda quando outra dívida traz consequência mais grave em caso de não pagamento, como a perda de um bem dado em garantia ou a interrupção de um serviço essencial. Por isso a ferramenta mostra essas condições antes da ordem.
E se eu não conseguir pagar todas as parcelas?
Nesse caso o primeiro problema não é escolher uma estratégia: é fazer os pagamentos caberem no orçamento. A ferramenta detecta quando o valor disponível não cobre a soma dos pagamentos e muda de modo — mostra a diferença mensal, destaca as dívidas com condições sensíveis e encaminha para negociação. Ela não indica qual parcela deixar de pagar, porque essa decisão tem consequências jurídicas e patrimoniais que dependem de cada contrato.
O que fazer com um dinheiro extra?
Informe o valor e veja qual dívida cada estratégia priorizaria. Um cuidado importante: em contratos de parcela fixa, o valor adicional precisa ser pedido como amortização antecipada, e a instituição informa se ele reduz o prazo ou a parcela — o efeito real depende das regras do contrato. Para comparar o saldo de quitação com as parcelas que faltam, use a calculadora de quitação antecipada.
Vale pegar um empréstimo para quitar outras dívidas?
Pode fazer sentido quando o custo total cai de verdade e a causa do endividamento já foi tratada. Vira armadilha quando a parcela menor vem de um prazo muito maior e o total pago aumenta. Compare a dívida inteira, não só a parcela, em vale a pena trocar esta dívida? Esta ferramenta não recomenda contratar crédito novo para fechar o plano.
O que fazer se as dívidas comprometem as despesas básicas?
Pelos valores informados, o pagamento das dívidas pode estar comprometendo recursos necessários às despesas básicas. Nessa situação, pode ser útil buscar orientação especializada ou canais de defesa do consumidor: Procon, Defensoria Pública e o Consumidor.gov.br, canal público de interlocução entre consumidores e empresas participantes. Existe também um caminho legal específico, descrito no guia da Lei nº 14.181/2021. Esta ferramenta não classifica ninguém como superendividado: isso tem definição jurídica própria e não se deduz de uma conta.
Como negociar dívidas?
Chegando preparado: saldo atualizado, tempo de atraso, quanto cabe no mês e quanto você tem à vista. Os canais vão do credor à ouvidoria, ao Consumidor.gov.br e ao Procon. O roteiro completo, com o que exigir por escrito antes de pagar, está em como negociar dívidas.
Como montamos o plano?
Com regras explícitas, sem algoritmo secreto e sem inteligência artificial: (1) reunimos os valores informados; (2) somamos os pagamentos mensais cadastrados; (3) comparamos com o valor que você consegue destinar, obtendo o valor adicional; (4) a avalanche ordena por taxa mensal equivalente, da maior para a menor; (5) a bola de neve ordena por saldo, do menor para o maior; (6) condições especiais — atraso, garantia, bem essencial, urgência — aparecem separadamente, nunca embutidas na ordem; (7) a projeção de quitação só é feita quando todas as dívidas têm saldo, taxa e pagamento informados e o orçamento cobre os pagamentos; (8) toda projeção é estimativa, com hipóteses declaradas.
Desempates documentados: na avalanche, taxas iguais colocam o menor saldo primeiro; na bola de neve, saldos iguais colocam a maior taxa primeiro. Taxas em unidades diferentes são convertidas por equivalência composta — mensal para anual por (1 + i)12 − 1 e anual para mensal por (1 + i)1/12 − 1, nunca multiplicando ou dividindo por 12. Dinheiro em centavos inteiros, sem arredondamento em etapas intermediárias. Quando uma dívida é quitada na simulação, o pagamento dela passa a reforçar a próxima da ordem — é o efeito cascata.
O que esta ferramenta não sabe
Ela trabalha apenas com o que você digita, e há muita coisa fora do alcance dela: as regras completas de cada contrato, mudanças futuras de taxa, descontos que você venha a negociar, compras novas no cartão, multas futuras, a situação jurídica de cada dívida, sua renda futura e despesas inesperadas. Por isso ela nunca promete data de quitação nem economia garantida — e por isso os números aparecem sempre como estimativa da simulação.
Fontes e referências: Banco Central do Brasil (educação financeira e informações sobre crédito), Código de Defesa do Consumidor e Lei nº 14.181/2021 (prevenção e tratamento do superendividamento), Consumidor.gov.br (canal público de interlocução). Encontrou algo errado? Veja a política de correções. Metodologia revisada em 28/08/2026.