Como saber quando termino de pagar minhas dívidas?
O tempo para quitar uma dívida depende principalmente do saldo, da taxa de juros e do valor pago por mês. Se o pagamento for maior que os juros e encargos do período, o saldo tende a cair; pagamentos extras podem reduzir prazo e custo. Dividir o saldo pelo pagamento não funciona, porque ignora os juros que entram todo mês. O simulador roda a trajetória mês a mês, dívida por dívida, e mostra em que mês cada uma termina.
Exemplos de trajetória
Exemplos matemáticos, não promessas. Premissas: taxa hipotética constante, sem novas compras, sem atraso, sem renegociação, e o pagamento de uma dívida que termina passa para as outras.
Dívida de R$ 10 mil
Com taxa de 3% ao mês e pagamento de R$ 500 por mês, a simulação chega a saldo zero em 2 anos e 7 meses (abril de 2029), com R$ 15.499,47 desembolsados, dos quais R$ 5.499,47 são juros. Com R$ 300 a mais por mês, termina em 1 ano e 4 meses: 1 ano e 3 meses a menos e R$ 2.777,93 de juros evitados.
A mesma dívida de R$ 10 mil a 3% ao mês, com pagamentos diferentes:
R$ 500/mês
- Termina em
- 2 anos e 7 meses
- Total pago
- R$ 15.499
- Juros
- R$ 5.499
R$ 750/mês
- Termina em
- 1 ano e 6 meses
- Total pago
- R$ 12.964
- Juros
- R$ 2.964
R$ 1.000/mês
- Termina em
- 1 ano e 1 mês
- Total pago
- R$ 12.068
- Juros
- R$ 2.068
R$ 1.500/mês
- Termina em
- 8 meses
- Total pago
- R$ 11.329
- Juros
- R$ 1.329
Dívida de R$ 20 mil
A 3% ao mês pagando R$ 1.000, a simulação termina em 2 anos e 7 meses, com R$ 10.998,94 de juros. Pagando R$ 1.300, em 1 ano e 9 meses, com R$ 3.772,46 a menos de juros.
Duas dívidas ao mesmo tempo
Cartão parcelado de R$ 6.000 a 8% ao mês (R$ 600/mês) e empréstimo de R$ 15.000 a 2,5% ao mês (R$ 700/mês), pagamento da primeira que termina redirecionado para a outra: a primeira dívida acaba em 1 ano e 5 meses e a rota inteira em 2 anos e 3 meses. Com R$ 300 a mais por mês, 9 meses a menos.
Por que algumas dívidas parecem não diminuir?
Todo mês entram juros sobre o saldo. Se o pagamento só cobre esses juros, nada sobra para amortizar e o saldo fica igual; se cobre menos, o saldo cresce. O simulador detecta isso e avisa em vez de mostrar uma quitação em centenas de anos. Nesses casos, o que muda a rota é o pagamento, a taxa ou o contrato: renegociação, portabilidade ou troca da dívida.
O que acontece quando pago um pouco mais?
O valor extra vai direto ao saldo, porque os juros do mês já foram pagos pela parcela. Isso reduz a base sobre a qual os juros do mês seguinte são calculados, e o efeito se acumula. Por isso R$ 100 a mais por mês costumam valer mais do que parecem, e o simulador mostra quanto, em meses e em reais.
O que acontece quando uma dívida termina?
O pagamento dela deixa de ser obrigatório. Você escolhe o que a simulação faz com esse valor: se continua indo para as outras dívidas (o que acelera a rota) ou se volta para o seu orçamento (o que libera renda aos poucos). Os dois caminhos aparecem com data.
Como várias dívidas são simuladas juntas?
Cada dívida recebe pelo menos o pagamento informado. O dinheiro extra, e o pagamento das dívidas que já terminaram quando você mantém o orçamento, vai para a dívida prioritária da estratégia escolhida e, quando ela zera, para a seguinte.
Maior taxa ou menor saldo primeiro?
Maior taxa primeiro tende a pagar menos juros no total. Menor saldo primeiro zera a primeira dívida mais cedo. O simulador aceita as duas e uma ordem manual; não elege uma como certa. A comparação em detalhe está no guia qual dívida pagar primeiro.
E se o pagamento não cobre os juros?
A dívida não amortiza e a simulação diz isso. Se o pagamento das dívidas compromete recursos necessários às despesas básicas, existem mecanismos de prevenção e tratamento do superendividamento previstos na legislação brasileira (Lei nº 14.181/2021). O guia da Lei do Superendividamento explica o caminho, sem pagar nada a ninguém.
Como interpretar a linha do tempo?
Cada marco é calculado da própria simulação: a primeira dívida que termina, o mês em que metade do saldo inicial já foi eliminada, a última dívida e o saldo zero. As datas são aproximadas: o mês 1 é o mês seguinte a hoje, e cada mês recebe um pagamento.
Perguntas frequentes
Quanto tempo demora para quitar uma dívida?
Depende do saldo, da taxa e do pagamento. Com os três, o simulador mostra o mês. Sem a taxa, mostra só o cronograma das parcelas.
Quanto preciso pagar por mês?
Pelo menos mais que os juros do mês, senão o saldo não cai. Teste valores no simulador: cada um mostra a data e o custo.
Pagar mais reduz os juros?
Sim, porque reduz o saldo sobre o qual os juros dos meses seguintes incidem. O Código de Defesa do Consumidor assegura a liquidação antecipada, total ou parcial, com redução proporcional dos juros (art. 52, §2º).
Qual dívida deve ser paga primeiro?
O simulador mostra o efeito de cada ordem; a decisão é sua. O guia qual dívida pagar primeiro compara os métodos.
Posso usar com cartão de crédito?
Com a fatura já parcelada, sim. No rotativo, não: O saldo não pago só pode permanecer no crédito rotativo até o vencimento da fatura seguinte; a partir daí, a instituição deve oferecer parcelamento em condições mais vantajosas que as do rotativo. Use a Calculadora de Juros do Cartão para a próxima fatura.
Posso usar com financiamento?
Sim, na Price ou na SAC. O simulador não inclui seguros e tarifas do financiamento a menos que você informe o valor mensal em “mais detalhes”.
O resultado é exato?
Não. É uma simulação com taxa constante, pagamentos em dia e sem novas compras. O saldo oficial é sempre o da instituição.
E se a taxa mudar ou eu renegociar?
A rota muda. Refaça a simulação com os novos números; para uma proposta de acordo, a calculadora de renegociação soma o que ela custa.
Como simulamos
- Mês a mês. Em cada mês: 1) encargos sobre o saldo de cada dívida; 2) pagamento obrigatório de cada uma, nunca além do saldo mais os encargos; 3) o valor extra, o aporte único e os pagamentos das dívidas já quitadas (se você mantém o orçamento) vão à dívida prioritária da estratégia e depois à seguinte; 4) dívidas que zeram têm o pagamento liberado; 5) registro do mês.
- Empréstimo, consignado, cheque especial, cartão parcelado e “outro”: juros do mês = saldo × taxa mensal; o que passa dos juros amortiza. Com parcela fixa, é a tabela Price.
- Financiamento na SAC: amortização constante = saldo ÷ parcelas restantes; a parcela cai a cada mês. Valor extra reduz o prazo e mantém a amortização.
- Acordo ou parcelamento sem taxa: desembolso = parcela × parcelas restantes, com data final. Juros não calculados, e o valor extra não é aplicado nessa dívida, porque sem taxa não dá para saber o que a antecipação abate.
- Cartão no rotativo: fora da rota. O saldo não pago só pode permanecer no crédito rotativo até o vencimento da fatura seguinte; a partir daí, a instituição deve oferecer parcelamento em condições mais vantajosas que as do rotativo.
- Seguro ou tarifa dentro da parcela: sai do bolso, entra no custo, não amortiza.
- Taxa: anual vira mensal por equivalência composta, (1 + i)^(1/12) − 1, nunca ÷ 12. Taxa acima de 35% ao mês pede confirmação da unidade.
- Desempate: maior taxa → menor saldo → ordem de cadastro; menor saldo → maior taxa → ordem de cadastro.
- Última parcela: absorve o resíduo de centavos, como num contrato.
- Marcos: primeira dívida quitada, metade do saldo inicial eliminada, 75% eliminados, última dívida e saldo zero, todos lidos da série simulada.
- Datas: hoje no fuso de Brasília; o mês 1 é o mês seguinte.
- Limite técnico: 1.200 meses. Se o saldo não zera, a simulação para e diz isso.
Premissas: taxa constante; pagamentos em dia e no valor informado; nenhuma compra nova, novo uso de limite, atraso, multa, renegociação ou mudança de contrato no período. Não incluídos: IOF, encargos de atraso, custos de renegociação, correção por indexador e efeitos do teto de juros do cartão, que valem só para a fatura.
Privacidade: o cálculo acontece no seu navegador. Saldos, taxas, pagamentos, apelidos e resultados não são enviados, gravados nem usados em medição de audiência.
Fontes e revisão
- Presidência da República — Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), art. 52, §2º (verificado em 28/08/2026).
- Conselho Monetário Nacional / Banco Central do Brasil — Resolução CMN nº 4.549/2017 (verificado em 16/08/2026).
- Presidência da República — Lei nº 14.181/2021 (prevenção e tratamento do superendividamento).
- Banco Central do Brasil — o Registrato traz o Relatório de Empréstimos e Financiamentos, que pode ajudar a identificar operações registradas em seu nome. Este simulador não importa dados de lá.
Conteúdo e ferramenta da Equipe Editorial do Crédito por Perto, que não concede crédito, não faz análise de crédito e não diagnostica superendividamento. Este é um simulador educativo, não um plano financeiro personalizado. Encontrou algo errado? Veja a política de correções. Metodologia revisada em 24/09/2026.