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Organização financeira

Tarifas bancárias: os serviços que o banco é obrigado a oferecer de graça

Muita gente paga cesta de serviços todo mês sem saber que existe um pacote de serviços essenciais gratuito por norma — e que dá para migrar para ele a qualquer momento, sem trocar de banco.

Por Equipe Editorial do Crédito por PertoPublicado em
Informações verificadas em 28/08/2026

Aparece na fatura todo mês, com nome de "cesta de serviços" ou "pacote". Vinte, trinta, quarenta reais. Sai sem barulho, e por isso quase ninguém confere.

O que pouca gente sabe: existe um conjunto de serviços que toda instituição é obrigada a fornecer sem cobrar tarifa. Não é promoção nem cortesia — é norma do Conselho Monetário Nacional, a Resolução CMN nº 3.919/2010, que consolidou as regras de cobrança de tarifas no sistema financeiro.

O que é gratuito por norma

Para quem tem conta de depósitos à vista (a conta corrente comum), a norma lista serviços essenciais de fornecimento obrigatório e gratuito. Entre eles:

Serviço essencialGratuidade prevista
Cartão de débitoFornecimento do cartão
2ª via do cartão de débitoGratuita, exceto quando a perda, o roubo ou o dano decorre de causa não atribuível à instituição
SaquesAté 4 por mês, no caixa ou no autoatendimento
Transferências entre contas da própria instituiçãoAté 2 por mês
Extratos com a movimentação do períodoAté 2 por mês

A tabela completa dos serviços essenciais — e também a das contas de poupança — está no texto da própria resolução. Vale conferir antes de aceitar qualquer cobrança: a lista oficial é a régua, não o que o gerente descreve por telefone.

Pix: a regra para pessoa física

Para pessoa física, a regra geral é que enviar e receber Pix não tem tarifa. Isso vale para as transferências do dia a dia, feitas pelos canais eletrônicos.

Existem exceções previstas, e elas têm lógica comercial. A cobrança pode ocorrer, por exemplo, quando o Pix é feito em canal de atendimento presencial e quando o recebimento tem finalidade comercial — casos como receber acima de um volume mensal de transações, receber por QR Code dinâmico ou usar conta definida em contrato como de uso empresarial.

Traduzindo: se você usa o Pix para a vida pessoal, pelo aplicativo, cobrança de tarifa é o sinal de que algo precisa ser questionado.

Cesta de serviços: quando faz sentido pagar

O pacote não é vilão. Ele faz sentido para quem usa mais do que o essencial cobre: muitos saques, muitas transferências, folhas de cheque, extratos extras.

A conta é simples. Some quantos eventos pagos você realmente usaria fora do pacote e multiplique pela tarifa avulsa. Se o resultado for menor que a mensalidade do pacote, você está pagando pela conveniência de não pensar — e essa conveniência tem preço fixo todo mês, use ou não use.

Vale lembrar de duas alternativas que mudaram esse cálculo: as contas digitais sem mensalidade e os pacotes padronizados, cuja composição é definida em norma para permitir comparação entre instituições.

Como parar de pagar o que você não usa

O quarto item costuma ser o mais travado na prática. Insista pelo canal formal e registre o protocolo — o pedido não depende de convencer ninguém.

Tarifa não é juro (e as duas entram na mesma conta)

Confusão comum na hora de comparar crédito. Juros são o preço do dinheiro no tempo. Tarifas são cobranças por serviços prestados. São coisas diferentes, com regras diferentes.

Mas elas se encontram num lugar: o Custo Efetivo Total. O CET reúne juros, tarifas, tributos e seguros numa taxa só, e é por isso que ele — não a taxa de juros isolada — é o número comparável entre propostas de crédito. Um empréstimo com juro menor e tarifas maiores pode sair mais caro no fim.

Na hora de comparar duas ofertas com CET, o comparador de propostas coloca as duas lado a lado, com o total pago de cada uma.

Perguntas frequentes

O banco pode cobrar tarifa de manutenção de conta?

A manutenção pode integrar um pacote de serviços contratado. O que a norma assegura é o outro caminho: quem opta por usar apenas os serviços essenciais tem direito a eles sem tarifa. Se você paga mensalidade e usa pouco, o pedido de migração é o movimento.

Fui cobrado por um saque que deveria ser gratuito. O que faço?

Confira no extrato quantos saques você fez naquele mês. Dentro do limite dos essenciais, peça o estorno pelo SAC, com o número do protocolo. Sem solução, suba para a ouvidoria e depois para os canais do Banco Central e do consumidor.gov.br. O roteiro de escalonamento está em como negociar dívidas e serve para qualquer reclamação bancária.

Conta digital sem tarifa é confiável?

O que define confiança não é a ausência de tarifa: é a autorização. Antes de abrir conta em instituição que você não conhece, confirme se ela aparece nos registros oficiais em essa instituição aparece no Banco Central?.

Tarifa cobrada em empréstimo é permitida?

Tarifas em operações de crédito seguem regras próprias, e a informação decisiva é o CET: qualquer custo cobrado precisa estar refletido nele. Peça o CET por escrito antes de assinar e desconfie de cobrança apresentada só depois da aprovação — pagamento antecipado para "liberar" crédito é golpe, não tarifa.

Mudar de pacote afeta meu score?

Não. Pacote de serviços é relação de conta, não operação de crédito. O que compõe a leitura de risco está no guia do score.

Vale trocar de banco só por causa da tarifa?

Depende de quanto você paga e do que usa. Antes de trocar, peça a migração para os serviços essenciais no banco atual: costuma resolver sem mudar salário de lugar. Se a economia mensal for relevante, ela vale mais aplicada ao seu orçamento do que parada.

Fontes consultadas

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