Como funciona o simulador de financiamento de veículo
Você informa quatro números — valor do veículo, entrada, taxa de juros e prazo — e o simulador calcula a parcela fixa, quanto dela é juro e quanto sai do seu bolso no total, somando a entrada. Serve para carro, moto ou qualquer veículo financiado com prestações fixas. Para entender o contrato em si — a alienação fiduciária, o que acontece se atrasar e por que o veículo fica em garantia —, veja o guia de financiamento de veículo.
Como a parcela é calculada
O simulador usa prestações fixas, o chamado sistema Price: todas as parcelas têm o mesmo valor, e os juros de cada mês incidem sobre o que ainda falta pagar. No começo, a dívida é grande, então a maior parte da parcela é juro; perto do fim, quase tudo reduz a dívida. A tabela “Ver evolução do financiamento” mostra essa virada mês a mês.
Nem todo contrato é feito assim — há financiamentos com amortização constante (SAC), com parcelas decrescentes. A diferença entre os dois está em Price ou SAC, e a calculadora SAC x Price compara os dois com os mesmos números. Se o seu contrato não tiver parcelas fixas, esta simulação não o representa.
Como a entrada muda o financiamento
Cada real de entrada é um real que não fica devendo — e que, portanto, não paga juros pelo prazo inteiro. Veja um carro de R$ 80 mil em 48 meses, a 2,05% ao mês, a taxa média do Banco Central para aquisição de veículos em junho de 2025:
Sem entrada
- Financiado
- R$ 80.000,00
- Parcela
- R$ 2.634,75
- Juros
- R$ 46.468,32
R$ 20.000,00
- Financiado
- R$ 60.000,00
- Parcela
- R$ 1.976,07
- Juros
- R$ 34.851,04
R$ 40.000,00
- Financiado
- R$ 40.000,00
- Parcela
- R$ 1.317,38
- Juros
- R$ 23.233,93
Entre financiar tudo e dar R$ 40 mil de entrada, os juros caem de R$ 46.468,32 para R$ 23.233,93. Dar mais entrada, porém, tira dinheiro de outro lugar: vale olhar antes para a sua reserva de emergência, porque um imprevisto sem reserva costuma virar dívida mais cara que o financiamento.
Prazo maior diminui a parcela. E os juros?
Aumentam. Com R$ 60 mil financiados, na mesma taxa, só o prazo muda:
24 meses
- Parcela
- R$ 3.190,26
- Juros
- R$ 16.566,31
- Total das parcelas
- R$ 76.566,31
36 meses
- Parcela
- R$ 2.372,91
- Juros
- R$ 25.424,98
- Total das parcelas
- R$ 85.424,98
48 meses
- Parcela
- R$ 1.976,07
- Juros
- R$ 34.851,04
- Total das parcelas
- R$ 94.851,04
60 meses
- Parcela
- R$ 1.747,04
- Juros
- R$ 44.822,05
- Total das parcelas
- R$ 104.822,05
De 24 para 60 meses, a parcela cai de R$ 3.190,26 para R$ 1.747,04 — e os juros vão de R$ 16.566,31 para R$ 44.822,05. A parcela menor é paga por mais tempo, sobre uma dívida que demora mais a diminuir. Os números acima usam 2,05% ao mês, a taxa média do Banco Central para aquisição de veículos em junho de 2025.
Taxa ao mês e taxa ao ano são a mesma coisa?
Não, e a conversão não é multiplicar por 12. Juros compostos incidem sobre juros: 1,80% ao mês equivale a 23,87% ao ano, não a 21,60%. O simulador aceita as duas formas e faz a conversão pela taxa equivalente — basta marcar “ao mês” ou “ao ano” conforme estiver na proposta. Para converter qualquer taxa, use o conversor de taxas.
Parcela e CET: qual a diferença?
A parcela é quanto você paga por mês. O CET (Custo Efetivo Total) é o custo da operação inteira, em taxa anual: soma os juros e os outros encargos cobrados do cliente — tributos, tarifas, seguros e demais despesas. A Resolução CMN nº 4.881/2020 obriga a instituição a informá-lo antes da contratação. Este simulador trabalha só com a taxa e os custos que você informar; o CET oficial é o da proposta. Entenda o número em o que é CET.
Por que a simulação pode ser diferente da proposta
Porque a proposta real inclui o que nenhum simulador genérico conhece:
- o CET, com tributos, tarifas e seguros que entram na conta;
- tarifas de cadastro ou de avaliação do veículo, quando cobradas;
- seguros vinculados à operação;
- a taxa oferecida ao seu perfil, que sai da análise de crédito;
- o valor da entrada e o prazo que a instituição aceita;
- as condições do veículo — novo ou usado, ano, modelo;
- a política de cada instituição.
Se você já conhece algum desses custos, inclua em “Incluir custos que você já conhece”. O simulador não acrescenta nada por conta própria.
Como comparar duas propostas de financiamento
Pelo CET e pelo total a pagar, no mesmo prazo — nunca pela parcela. Duas propostas com a mesma parcela podem ter prazos e custos totais diferentes. O comparador de propostas coloca as duas lado a lado. Para saber se a taxa está longe da média do mercado, o Minha taxa está cara? compara com a referência do Banco Central, e o Radar de taxas mostra como ela vem se movendo. O método completo está em como comparar propostas de crédito.
Perguntas frequentes
Como calcular o financiamento de um veículo?
Subtraia a entrada do valor do veículo para chegar ao valor financiado. A parcela fixa é valor financiado × i ÷ [1 − (1 + i)−n], em que i é a taxa mensal em decimal e n o número de parcelas. O total das parcelas menos o valor financiado dá os juros. O simulador faz essa conta e mostra também a tabela mês a mês.
Quanto fica a parcela de um carro de R$ 80 mil?
Depende da entrada, da taxa e do prazo. Com R$ 20 mil de entrada, em 48 meses, a 2,05% ao mês, a taxa média do Banco Central para aquisição de veículos em junho de 2025, a parcela estimada fica em R$ 1.976,07, com R$ 34.851,04 de juros e R$ 114.851,04 desembolsados no total, somando a entrada. Com a sua proposta, a conta muda — use o simulador acima.
Vale a pena dar uma entrada maior?
Matematicamente, mais entrada significa menos juros, como mostra a tabela acima. Se vale a pena depende do que esse dinheiro faria no seu caso — sobretudo se ele é a sua reserva para imprevistos. O simulador mostra a consequência em reais; a decisão é sua.
É melhor financiar em 48 ou 60 meses?
Em 60 meses a parcela é menor e os juros totais são maiores; em 48, o contrário. Não existe resposta única: a parcela precisa caber no mês com folga, e a diferença de juros precisa valer o alívio mensal. A tabela “Mesmo veículo, prazos diferentes”, no resultado, mostra os dois lados com os seus números. Para testar a parcela no seu orçamento, use parcela no orçamento.
Financiamento sem entrada existe?
O simulador aceita entrada zero: basta deixar o campo vazio. Se a instituição financia 100% do valor, e em que condições, depende da política dela e da análise de crédito. Financiar tudo significa pagar juros sobre o valor inteiro do veículo.
O simulador funciona para moto?
Sim. A conta de prestações fixas é a mesma para carro, moto ou outro veículo. O que muda de um para outro são a taxa e os prazos que cada instituição oferece — informe os da sua proposta.
O resultado é igual ao do banco?
Não necessariamente. A simulação usa a taxa e os custos que você informar; a proposta inclui encargos que só a instituição conhece e que aparecem no CET. Use o resultado para entender a conta e fazer perguntas — o número que vale é o do contrato.
Qual taxa usar no simulador?
A da sua proposta, na unidade em que ela aparece (ao mês ou ao ano). Sem proposta ainda, dá para partir da taxa média do Banco Central para aquisição de veículos — o simulador oferece esse atalho quando o dado está disponível —, sabendo que a média não é a taxa que você vai receber.
Como saber se a taxa está alta?
Comparando com a referência certa: a média do Banco Central para a mesma modalidade, no mesmo período. Depois de calcular, o simulador mostra essa comparação; o Minha taxa está cara? faz a análise completa. A média é referência para perguntar, não veredito: a taxa de cada pessoa depende de perfil, entrada, prazo, veículo e instituição.
Como calculamos
Sistema: prestações fixas (Price), com juros compostos e capitalização mensal — a mesma formulação da Calculadora do Cidadão do Banco Central para financiamento com prestações fixas. Com taxa zero, a parcela é o valor financiado dividido pelo prazo.
Valor financiado: valor do veículo menos a entrada, mais os custos que você informar como incluídos no financiamento. Custos pagos à parte não pagam juros e entram apenas no total desembolsado.
Taxa: quando informada ao ano, é convertida para a mensal equivalente, (1 + anual)1/12 − 1. Nunca dividimos por 12.
Arredondamento: a parcela é arredondada ao centavo, e cada linha da tabela é calculada em centavos. A última parcela absorve a diferença, para o saldo terminar exatamente em zero e os totais baterem com a soma da tabela.
O que não está incluído: tarifas, seguros e IOF que você não informar. Por isso o resultado é uma estimativa com os valores informados — não é o CET.
Privacidade: o cálculo acontece no seu navegador. Nenhum valor digitado é enviado, gravado ou usado em medição de audiência.
Fontes e metodologia
- Banco Central do Brasil — Calculadora do Cidadão: metodologia do financiamento com prestações fixas.
- Conselho Monetário Nacional — Resolução nº 4.881/2020, sobre o cálculo e a informação do Custo Efetivo Total.
- Banco Central do Brasil — taxa média mensal de juros, pessoas físicas, aquisição de veículos (série SGS 25471), referência de junho de 2025.
Conteúdo e ferramenta da Equipe Editorial do Crédito por Perto, que não concede crédito, não indica instituição e não recebe por nenhuma contratação. Encontrou algo errado? Veja a política de correções. Metodologia revisada em 23/09/2026.